antf.org.br

Você está aqui: Home Artigos

Nem tudo está nos trilhos

Rodrigo Vilaça - O Estado de S.Paulo

No artigo Um novo salto de qualidade nas ferrovias, recentemente publicado neste jornal (25/8, B2), destaca-se a importância das novas resoluções da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) como um impulso para a redução do custo Brasil, maior qualidade do transporte ferroviário de cargas, aumento da competição entre as concessionárias e incentivo a investimentos.

 

Contar com ferrovias cada vez mais modernas, eficientes e competitivas é um objetivo de todos nós. A começar pelas concessionárias, que já investiram mais de R$ 25 bilhões nas ferrovias desde 1997 - além de R$ 13 bilhões em impostos e arrendamentos - e que vão continuar investindo na adoção de novas tecnologias, na ampliação e modernização da frota de locomotivas e vagões, na capacitação de profissionais, na recuperação da malha e no constante aprimoramento dos serviços.

 

Antes do atual modelo de concessão das ferrovias, a malha ferroviária estava quase totalmente inoperante e obsoleta. Agora, o transporte sobre trilhos é responsável por mais de 25% de toda a carga movimentada em território nacional. Como era o escoamento de produtos agrícolas quando a ferrovia era estatal? E como está hoje o transporte de carga nas rodovias? Como estão as condições de armazenagem dos produtos agrícolas? E o embarque nos portos?

 

Se o transporte ferroviário foi o modal que mais cresceu nos últimos anos, isso ocorreu a partir dos investimentos que elas fizeram no setor, aliados a um enorme esforço por maior produtividade e eficiência. O próprio crescimento do agronegócio não teria sido viável sem a revitalização das ferrovias.

 

O que o Brasil precisa, para a integração econômica de seu território e para o escoamento da produção, é de um transporte intermodal eficiente. Isso, sim, vai gerar redução de custos, aumento das exportações e maior competitividade dos produtos brasileiros.

 

O alcance desses objetivos depende, também, da eliminação dos gargalos que prejudicam a eficiência dos transportes em nosso país. Como realocar as famílias que invadiram faixas de domínio desde os tempos inglórios da RFFSA, criando sérios riscos à segurança e impondo aos trens de carga, em muitos trechos, uma velocidade média de 5 km/h? Como aumentar a produtividade quando é necessário compartilhar os trilhos com o transporte urbano de passageiros em São Paulo levando cargas para o Porto de Santos? Como agilizar as operações portuárias para que trens e caminhões não fiquem retidos por longos períodos antes de despachar suas cargas? O equacionamento desses e de muitos outros problemas só é possível por meio da conjugação de esforços em todos os segmentos envolvidos.

 

Um bom exemplo é o investimento coordenado pela América Latina Logística (ALL) com seus clientes, no valor de R$ 730 milhões, para a construção de um complexo intermodal em Rondonópolis (MT), com capacidade para 30 milhões de toneladas de carga por ano, que dará origem a um distrito industrial às margens da ferrovia. Esse não é um fato isolado: o volume transportado pela ALL, no período de 2006 a 2010, obteve crescimento de 49% em commodities, medido em toneladas por quilômetro útil (TKU). Embora os investimentos apresentem ainda retornos historicamente muito baixos, esse esforço vale a pena. A produtividade do transporte ferroviário de cargas no Brasil cresceu 103%, de 1997 a 2010, passando de 137,2 bilhões para 278,5 bilhões de TKU.

 

Grande parte do que falta fazer está na remoção de gargalos, que cabe ao governo, mas que conta com a parceria efetiva das empresas - a exemplo da construção do Ferroanel de São Paulo, com a possível participação da MRS Logística, dentro de um formato que, contudo, precisa viabilizar esses investimentos.

 

Soluções efetivas não podem se basear em visões parciais e equivocadas. Órgãos de governo, agência reguladora, usuários, transportadores, precisamos todos trabalhar em conjunto, e é isso o que estamos fazendo para que o Brasil possa trilhar o rumo do crescimento e da prosperidade que todos almejamos.


PRESIDENTE EXECUTIVO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS TRANSPORTADORES FERROVIÁRIOS (ANTF)  

 
confederacao
first
  
last
 
 
start
stop

facebooktwitteryoutube