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Histórico

CFN - Companhia Ferroviária do Nordeste

A Companhia Ferroviária do Nordeste, vencedora do leilão de desestatização da
Malha Nordeste da RFFSA em 18 de julho de 1997, iniciou suas atividades no dia 1 de
janeiro de 1998, constituída pelas linhas de bitola métrica das antigas Estrada de Ferro São
Luis - Teresina, Rede de Viação Cearense e Rede Ferroviária do Nordeste:
Estrada de Ferro São Luis - Teresina - EFSLT
A história da ferrovia no Maranhão teve início em 1888, quando o engenheiro Nicolau
Vergueiro obteve do governo imperial a autorização para estudar uma ferrovia entre Caxias e
Cajazeiras, atual Timon. Os planos inicialmente não tiveram sucesso e somente em 9 de junho
de 1895 foi inaugurada a Estrada de Ferro de Caxias a Cajazeiras, com 78 km, sob a
orientação dos engenheiros Aarão Reis, Cristiano Cruz e Raimundo de Castro Maia, dentre
outros.
Em 1907 foi iniciada a construção da Estrada de Ferro São Luis a Caxias, passando
por sucessivos atrasos, e somente sendo concluída em 1921. Desde 1919 a ferrovia já era
administrada pela Inspetoria Federal das Estradas de Ferro, tendo encampado em 1920 a E. F.
de Caxias a Cajazeiras, nesta época conhecida como E. F. Senador Furtado. Com a
encampação a denominação foi alterada para Estrada de Ferro São Luis - Teresina.
A ligação ferroviária entre São Luis e Teresina se efetivou em 14 de março de 1921,
embora ainda necessitando de um transbordo sobre o canal dos Mosquitos, próximo a São
Luis, até a construção da ponte Benedito Leite, com 270 m de extensão.
Pátio da EFSLT em São Luis, MA, na década de 1970, vendo-se o prédio da estação João Pessoa, sede da
administração da ferrovia (acervo RFFSA)
Em 1916 foi iniciada a construção da ferrovia entre o porto de Amarração, atual Luis
Correa, e Campo Maior, no Piauí, sendo então vinculada à Rede de Viação Cearense. A linha
foi desmembrada da administração da RVC em 1920 e passou a denominar-se Estrada de
Ferro Central do Piauí, com as obras prosseguindo lentamente. Periperi, no km 191, somente
foi alcançada em 11 de fevereiro de 1937, e Campo Maior em final de 1962, e anos depois
Teresina.
No período de 15 de abril de 1942 a 6 de setembro de 1946 a Estrada de Ferro Central
do Piauí esteve vinculada administrativamente à EFSLT, voltando a ficar independente até 30
de setembro de 1957, quando ambas foram reunidas na criação da RFFSA.
Rede de Viação Cearense - RVC
A Rede de Viação Cearense foi formada pela união em 1910 de duas ferrovias de
penetração construídas no Ceará desde o final do século XIX, interligadas posteriormente por
uma linha transversal.
Em 1870 foi proposta por um grupo liderado pelo senador Tomás Pompeu de Souza a
construção de uma ferrovia ligando Fortaleza a Baturité, sendo autorizado o funcionamento da
Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité no ano seguinte. O primeiro trecho de 7 km a
partir de Fortaleza foi inaugurado em 20 de janeiro de 1872, prosseguindo as obras em
direção a Pacatuba, alcançada em 1876.
Devido ao crescente déficit, agravado pela grande seca de 1877, a ferrovia foi
encampada pelo governo imperial em 1878, chegando a linha a Baturité em fevereiro de 1882.
As obras ficaram novamente suspensas até 1888, quando devido a uma nova grande seca
foram retomadas, inclusive para proporcionar frente de serviço para os trabalhadores
atingidos pela seca. Em 1898 a ferrovia, mais conhecida como Estrada de Ferro de Baturité,
foi arrendada ao engenheiro Alfredo Novis, e em 1906 para a firma Novis e Pôrto.
Embora desde 1857 existisse uma concessão para a construção de uma ferrovia de
Camocim a Ipu, as obras não foram iniciadas, e após a grande seca de 1877 o governo
imperial anulou a concessão e iniciou em setembro de 1878 as obras da Estrada de Ferro de
Sobral, chegando a ponta dos trilhos a Sobral em 1882. Somente em 1888, com a nova grande
seca, as obras prosseguiram, chegando a Ipu em 1894. Em 1897 a ferrovia foi arrendada aos
engenheiros João Tomé de Saboia e Silva e Vicente Saboia de Albuquerque.
Em 1910 ocorreu a transferência das concessões das E. F. de Baturité e E. F. de Sobral
para a empresa de capitais britânicos The South American Construction Company Ltd.,
constituindo a Rede de Viação Cearense. Como o Tribunal de Contas negou o registro desta
transferência, novo acordo foi assinado e em 1915 foi declarada a sua caducidade pelo
governo federal, que assumiu o controle da RVC em setembro de 1916.
A ligação entre as duas ferrovias através da linha de Fortaleza a Sobral começou a ser
construída em 1917, somente sendo concluída em 1950.
Um trem da Estrada de Ferro de Baturité sobre a ponte do Acarapé, nas imediações de Fortaleza (acervo RFFSA)
Em 1919 iniciou-se no Ceará um amplo programa de construção de açudes, sendo as
duas estradas da RVC bastante utilizadas nas obras, a ponto de passarem a ser administradas a
partir de abril de 1920 pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, prosseguindo
também o prolongamento das linhas e a construção de ramais, mas retornando à
administração direta do Ministério da Viação e Obras Públicas em março de 1924.
Rede Ferroviária do Nordeste - RFN
Em 1852 os engenheiros ingleses Edward e Alfred Morney obtiveram a concessão
para uma ferrovia ligando Recife ao rio São Francisco. Em 1853 foi organizada em Londres a
Recife and São Francisco Railway Company, como a primeira empresa ferroviária inglesa a
se estabelecer no Brasil. A construção da linha em bitola larga de 1,60 m foi iniciada em 7 de
setembro de 1855, e inaugurado o trecho inicial entre Cinco Pontas e Cabo em 8 de fevereiro
de 1858, tornando-se assim a segunda estrada de ferro a operar no país, precedida apenas pela
Estrada de Ferro Mauá. A linha chegou a Una, atual Palmares, em 1862. E posteriormente a
empresa foi regatada como E. F. Recife a São Francisco pelo governo federal.
Em 21 de dezembro de 1872 foi organizada em Londres outra empresa, a The Great
Western of Brazil Railway Company Ltd., para obter do governo imperial a concessão para
construir e operar a Estrada de Ferro Recife a Limoeiro, iniciando as obras em 1879 e
inaugurando o trecho inicial de Brum a Carpina em 24 de outubro de 1881, e prosseguindo as
obras de ampliação em direção a Limoeiro.
A GWBR posteriormente obteve a concessão para construção de outros trechos, e em
1901 firmou acordo com o governo federal para incorporar diversas ferrovias isoladas,
abrindo mão da garantia de juros, sendo a mais importante a E. F. Recife a São Francisco,
cuja bitola seria alterada para métrica em 1905.
A Estrada de Ferro Sul de Pernambuco foi construída a partir de Palmares, final do
trecho da Recife and São Francisco Railway Co., chegando a Garanhuns em 28 de setembro
de 1887, e mais o ramal de Glicério a União, atual União dos Palmares, inaugurado em 13 de
maio de 1894. Em 1901 também foi encampada pela GWBR.
A Estrada de Ferro Central de Pernambuco teve a construção iniciada em 1881 a partir
de Recife em direção ao interior, através da serra das Russas, atingindo Caruarú em 1895. Em
1904 a ferrovia, já chegando a Tocaimbó, foi encampada pela GWBR.
Outras importantes ferrovias também encampadas pela GWBR foram a E. F. Central
de Alagoas, a E. F. Conde D'Eu, a E. F. Paulo Afonso e a E. F. de Natal a Nova Cruz, cuja
construção iniciara em 27 de fevereiro de 1880, sendo esta última desmembrada em 1939 para
se unir à E. F. Central do Rio Grande do Norte.
Um trem da The Great Western of Brazil Railway Company nas imediações de Recife, em 1943 (foto Charles S.
Small)
Em 10 de janeiro de 1951, concluindo o processo de encampação pelo governo
federal, a GWBR passou a denominar-se oficialmente Rede Ferroviária do Nordeste.
Da RFFSA à Companhia Ferroviária do Nordeste
Desde o início da década de 1950 estudos realizados pelo governo federal e também a
Comissão Mista Brasil - Estados Unidos recomendavam a unificação das ferrovias
administradas pela União em uma empresa de economia mista. Finalmente foi sancionada
pelo presidente Juscelino Kubitschek a lei número 3.115 de 16 de março de 1957, criando a
RFFSA - Rede Ferroviária Federal S. A., que entrou em funcionamento no dia 30 de setembro
do mesmo ano.
Com a criação da RFFSA foram reunidas 22 ferrovias, dentre elas a Rede Ferroviária
do Nordeste, com sede em Recife, PE, e 2.655 km de extensão, a Rede de Viação Cearense,
com sede em Fortaleza, CE, e 1.587 km, a E. F. São Luis - Teresina, com sede em São Luis,
MA, e 494 km, a E. F. Sampaio Correa, com 304 km, a E. F. Mossoró - Souza, com 243 km, e
a E. F. Central do Piauí, com 194 km.
Mesmo mantendo uma relativa autonomia das ferrovias afiliadas, tanto assim que
mantinham suas denominações originais, a RFFSA deu início a uma série de melhorias,
especialmente na área administrativa e de padronização de equipamentos, unificando os
sistemas de engates e freios, além de adquirir grande quantidade de material rodante e de
tração. Os déficits diminuíram, aumentando o transporte, embora não na velocidade que o
país necessitava para atender ao desenvolvimento.
Em 1969 a RFFSA agrupou suas ferrovias em sistemas regionais, sendo a EFSLT (já
reunindo a E. F. Central do Piauí) renomeada como 1ª Divisão Divisão Maranhão - Piauí, a
RVC como 2ª Divisão Cearense, a RFN (já reunindo a E. F. Mossoró - Souza e a E. F.
Sampaio Correa, ex. E. F. Central do Rio Grande do Norte) como 3ª Divisão Nordeste, todas
vinculadas ao Sistema Regional Nordeste, com sede em Recife, PE.
Em 1972 ocorreu a inauguração da linha entre Oiticica, no Ceará, e Altos, no Piauí,
construída pelo Exército, unindo as malhas da 2ª Divisão Cearense e da 1ª Divisão Divisão
Maranhão - Piauí, e pela primeira vez integrando todo o sistema ferroviário brasileiro.
Em 1976 ocorreu nova importante reorganização na RFFSA, sendo as 1ª, 2ª e 3ª
Divisões reunidas na SR 1 - Superintendência Regional Recife, que também incluía a 4ª
Divisão Leste Brasileiro.
Na década de 1980 a SR 1 foi dividida em CSP 1 - Divisão Operacional São Luís,
SP1.1 - Superintendência de Produção Fortaleza e SP1.2 - Superintendência de Produção
Recife, tornando-se independente a Leste Brasileiro como SR 7 - Superintendência Regional
Leste. Posteriormente foram criadas as SR 11 - Superintendência Regional Fortaleza e SR 12
- Superintendência Regional São Luís, ficando a SR1 limitada novamente às linhas da antiga
Rede Ferroviária do Nordeste.
Transporte de lingotes de alumínio pela CFN no porte de Itaqui, no Maranhão (acervo ANTF)
Transporte de derivados de petróleo pela CFN em Mucuripe, Fortaleza, CE (acervo ANTF)
Transporte de containers pela CFN no porte de Pecém, no Ceará (acervo ANTF)
Quando no início da década de 1990 o governo federal incluiu a RFFSA no processo
de desestatização, dividindo-a em malhas, as SR 1, 11 e 12 passaram a constituir a Malha
Nordeste, leiloada no dia 18 de julho de 1997. A vencedora do leilão foi a Companhia
Ferroviária do Nordeste, que iniciou sua operação em 1 de janeiro de 1998, operando
atualmente 4.238 km de linhas e interligando os estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio
Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Cronologia:
1853: Organização em Londres da Recife and São Francisco Railway Company, para construir e operar
a Estrada de Ferro Recife a São Francisco;
1855: Início da construção da Estrada de Ferro Recife a São Francisco, em bitola larga, no dia 7 de
setembro;
1858: Inauguração do trecho inicial da Estrada de Ferro Recife a São Francisco entre Cinco Pontas e
Cabo, no dia 8 de fevereiro;
1862: Chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Recife a São Francisco a Una, atual Palmares;
1872: Inauguração do trecho inicial da Estrada de Ferro de Baturité, no Ceará, no dia 20 de janeiro; :
Organização em Londres da The Great Western of Brazil Railway Company Ltd., para construir e operar a
Estrada de Ferro Recife a Limoeiro, no dia 21 de dezembro;
1878: Encampação da Estrada de Ferro de Baturité pelo governo imperial; Início da contrução da
Estrada de Ferro de Sobral, em setembro;
1879: Início da construção da Estrada de Ferro Recife a Limoeiro;
1880: Início da construção Estrada de Ferro de Natal a Nova Cruz, no dia 27 de fevereiro;
1881: Inauguração do trecho inicial da Estrada de Ferro Recife a Limoeiro entre Brum e Carpina, no dia
24 de outubro; Início da construção da Estrada de Ferro Central de Pernambuco;
1882: Chegada dos trilhos da Estrada de Ferro de Barurité a Baturité, em fevereiro; Chegada dos trilhos
da Estrada de Ferro de Sobral a Sobral;
1887: Chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Sul de Pernambuco a Garanhuns, no dia 28 de setembro;
1895: Inauguração da Estrada de Ferro de Caxias a Cajazeiras, no Maranhão, no dia 9 de junho;
1897: Arrendamento da Estrada de Ferro de Sobral aos engenheiros João Tomé de Saboia e Silva e
Vicente Saboia de Albuquerque;
1898: Arrendamento da Estrada de Ferro de Baturité pelo engenheiro Alfredo Novis;
1901: Acordo entre a da The Great Western of Brazil Railway Company Ltd. e o governo federal para
incorporar diversas ferrovias isoladas, abrindo mão da garantia de juros;
1904: Encampação da Estrada de Ferro Central de Pernambuco pela GWBR;
1905: Alteração da bitola da Recife a São Francisco de larga para métrica;
1907: Início da construção da Estrada de Ferro São Luis a Caxias;
1910: Transferência das concessões das E. F. de Baturité e E. F. de Sobral, constituindo a Rede de
Viação Cearense, para a The South American Construction Company Ltd.;
1916: Início da construção da ferrovia entre Amarração, atual Luis Correa, e Campo Maior, no Piauí,
futura E. F. Central do Piauí; Início do controle da Rede de Viação Cearense pelo governo federal;
1917: Início da construção da ligação Fortaleza - Sobral entre as duas ferrovias da RVC;
1920: Encampação pela E. F. São Luis a Caxias da E. F. Senador Furtado , ex. Caxias a Cajazeiras,
alterando a denominação para Estrada de Ferro São Luis - Teresina; Início da administração das ferrovias da
RVC pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, em abril;
1921: Efetivação da ligação ferroviária entre São Luis e Teresina, no dia 14 de março;
1924. Retorno da administração das ferrovias da RVC ao Ministério da Viação e Obras Públicas;
1937: Chegada da linha da E. F. Central do Piauí a Periperi, no dia 11 de fevereiro;
1942: Vinculação administrativa da E. F. Central do Piauí à EFSLT, no dia 15 de abril;
1946: Desvinculação administrativa da E. F. Central do Piauí da EFSLT, no dia 6 de setembro;
1950: Conclusão da ligação Fortaleza - Sobral entre as duas ferrovias da RVC, unificando a malha;
1951: Encampação da GWBR pelo governo federal, passando a denominar-se oficialmente Rede
Ferroviária do Nordeste, no dia 10 de janeiro;
1957: Fundação da RFFSA - Rede Ferroviária Federal S. A., no dia 30 de setembro, sendo a ela
incorporadas diversas ferrovias;
1969: Agrupamento das ferrovias da RFFSA em sistemas regionais, sendo a EFSLT renomeada como
1ª Divisão Maranhão-Piauí, a RVC como 2ª Divisão Cearense, e a RFN como 3ª Divisão Nordeste;
1972: Interligação entre as 1ª Divisão Maranhão-Piauí e a 2ª Divisão Cearense, com a inauguração da
linha Oiticica - Altos;
1976: Reorganização da RFFSA, sendo as três Divisões transformadas em SR 1 - Superintendência
Regional Recife, incluindo a 4ª Divisão Leste Brasileiro (posteriormente todas desmembradas como SR 11
Superintendência Regional Fortaleza, SR 12 - Superintendência Regional São Luis, e SR 7 - Superintendência
Regional Salvador);
1997: Leilão de desestatização da Malha Nordeste pela RFFSA no dia 18 de julho;
1998: Início de operação da Companhia Ferroviária do Nordeste, vencedora do leilão, no dia 1 de
janeiro.

 
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